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14 julho, 2019

Delírios da meia noite



Eu já estava deitada, mas não conseguia dormir. Até que abri os olhos e me deparei com a porta do meu guarda roupa aberta. Meu subconsciente perguntou:
-Está com medo do bicho-papão?
Eu ri e continuei o meu diálogo interno.
-Que nada!
Quando nós vamos crescendo os monstros que nos atormentam são outros. Olhar para a porta do meu guada roupa aberto só me faz lembrar que a conta de luz vai vir mais alta. O fato de eu não conseguir dormir só se concretiza por conta das preocupações que rondam minha mente. É o apartamento novo que tenho que alugar, a cidade nova que vou morar, o medo da rejeição na cidade grande, a situação política do país... ahh a política!
Os monstros parecem infinitos, quanto mais eu penso, mais espaços perecem existir na minha cabeça para se encherem de novos dilemas. 
Mas assim como o bicho-papão, os problemas tomam a proporção que eu permitir que eles tenham. Quanto mais eu penso, mais me afogo e no fim das contas nem lembro o que desencadeou tudo isso. Gasto a minha imaginação até o final. A essa hora já sei até a cor da parede da sala do apê. O nervosismo sumiu e virou sonho, no fim das contas o meu bicho-papão virou canção de ninar.

25 março, 2018

O medo do inevitável

   
O maior medo das pessoas ultimamente é se frustrar. Tamanha inocência acreditar que você é capaz de se blindar contra esse sentimento. A frustração além de inevitável é necessária. Necessária para te tornar humano, para te ensinar a seguir em frente e principalmente para te mostrar o quão pequeno é o seu poder sobre os planos do destino.
    Nas conversas entre amigas sobre relacionamento, o que eu mais tenho ouvido é: "mas eu não quero sofrer outra vez" ou "eu não quero me magoar de novo", como se a regra principal de um relacionamento é que ele tem prazo de validade e quando essa data chegar vai acabar tudo muito mal. Mas a grande questão é a priorização do medo. Antes de sair da fossa, você já está sofrendo com medo de entrar em outra, sem nem dar tempo para o seu corpo e seu psicológico sentir toda a tristeza e o sofrimento do término.
    O tempo vai passando e eis que do nada aparece alguém legal, com o papo bom, uma energia boa, disposta a se envolver e se aventurar numa vida a dois com você. Se tudo está fluindo tão bem, por que não tentar? Então você começa a sair, uma duas três vezes, daqui a pouco ela já está fraquentando sua casa, acabou conhecendo sua família e vocês estão super bem, levando tudo de forma leve e descontraída. De repente alguém usa a palavra namoro para definir a relação de vocês e você simplesmente gela."Namoro? Mas não é isso, a gente tá indo tão bem! E as minhas experiencias com namoro são péssimas, o ultimo então..." Você deposita TODAS as suas frustrações em uma única palavra. Se torna criança o suficiente para acreditar que uma única palavra, um único rótulo, será capaz de destruir tudo que vocês vêm construindo. Toda energia e dedicação gasta nesse relacionamento. Caso a relação acabe, foi por que simplesmente vocês assumiram o namoro e não por falta de dedicação, por falta de paixão ou simplesmente por divergência de interesses.
    Agora você começa a viver uma paranoia, reza para que as conversas nunca cheguem em "o que nós dois temos?", até que um dia, inevitavelmente, o papo para exatamente ali, onde você tanto temia. E o seu posicionamento é de que não quer viver um namoro agora, que está tudo tão bom de jeito que tá e não tem porque mudar isso. Tudo por conta de uma ferida mal curada, tudo por que você está projetando o seu passado no seu presente sem ao menos se preocupar em enxergar que a fila já andou, o tempo já passou e nem você, nem a/o atual são as mesmas pessoas do relacionamento passado.
    Você já se frustou e não morreu! Já está vivendo outra história, já está amando outra vez, já assumiu o papel de casal, mas segue achando que não está pronto pra outra, sendo que você JÁ ESTÁ em outra. A vida já te frustou novamente, mas dessa vez te presenteou com uma pessoa bacana, madura, capaz de assumir um relacionamento sério, sem medo e sem culpa. Porém seu medo de dar errado, de passar pela dor mais uma vez, faz com que você não seja suficiente para essa outra pessoa, e agora é a vez dela de se frustar negativamente com tudo que você não foi capaz de oferecer. Tudo que você deixou pra trás por não ter coragem de assumir pra si próprio o valor daquela relação.
    Parabéns! Você é o/a babaca da vez! E depois de tudo ter ido por água abaixo você se toca do quanto estava pronto, de que já estava imerso em um relacionamento e deixou tudo acabar com medo da frustração. Se xinga, se martiriza, mas agora você sofre, você sente a dor do fim e quando essa dor acaba você finalmente se apronta para uma nova pessoa. E tomara que essa nova pessoa também tenha sofrido e sentido o suficiente no fim do último término, para não depositar todo resto do último relacionamento em você e reiniciar o ciclo.

17 julho, 2017

Aos que prezam o amor


E no meio a tanta gritaria, a tanta briga por likes, a tanta disputa para saber quem é mais popular no mundo hostil e violento no qual nos encontramos hoje, resolvi dar ouvidos a quem prega a paz, resolvi escutar a todos que gritam desesperadamente o amor, mas que vivem passando despercebidos.
O amor clama por atenção nos mais singelos detalhes, mas nós teimamos em dar ouvidos as misérias, de maneira a baixar nossa energia e não ajudar o próximo. Permitimos que a correria do dia a dia deixe passar batido cada grito, cada pedido de ajuda ou de dar atenção a um simples gesto de paz.
Se nos permitirmos dar ouvidos ao bem, você verá o quanto ainda há esperança na humanidade, o quanto nós somos capazes de transformar toda essa hostilidade em caridade, e quanto somos capazes de nos doar por uma causa nobre.
Dar ouvidos ao amor é enxergar que ele não se encontra nos detalhes, mas que ele cerca e envolve todos nós afim de promover a harmonia e a paz. 
Não posso forçar ninguém a querer enxergar a paz e a esperança, mas a partir de hoje eu tomei essa decisão. Olhando cada passo da minha vida tive a certeza que tenho muito mais a agradecer do que o que reclamar. Percebi que diante de tantas misérias tenho mais chance ainda de ajudar o próximo, ao invés de ficar chorando e lamentando as injustiças do mundo. Estou passando a escutar os passos de quem quer promover o amor e resolvi me juntar a essa jornada. Ninguém precisou vir de longe para me mostrar isso, apenas precisei abrir um pouco mais os olhos para ler as mensagens de todos que me rodeiam.
Enfim, a partir de hoje resolvi entrar nessa jornada, de me permitir sentir e enxergar o bem, e como não posso mudar o mundo de cada um, resolvi expandir o meu, com minhas palavras. Voltar a escrever foi um dos presentes adquiridos nesse novo caminho e espero que esse presente dado a mim possa se estender a cada serzinho que ler ou ouvir essas palavras.

Com amor  
 
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