27 janeiro, 2022

Quase um talvez

Estava perdida nos seus pensamentos, questionando se era memorável. Sabia que era inteligente, bonita para uns, bondosa para todos, mas indagava se seria marcante. Seria capaz de deixar algum legado após morrer? Sua memória seria capaz ultrapassar gerações, ou minimamente capaz de atravessar uma década? Ou pior, seria ela lembrada, ainda em vida, por alguém que não fosse do seu convívio diário? Ela se tocou da sua pequenez e chorou. Chorou sozinha na penumbra do quarto, pois percebeu que não era nada do que queria ser. Estava muito distante do que desejava, e foi camuflada por falsas conquistas. Por meias conquistas. Se deu conta de que toda a sua vida foi composta por quases e talvezes. Não conseguiu contar na estante um troféu, porque quase chegou na final. No seu celular não tinha nenhuma chamada, porque ela pensou em talvez ligar, mas não ligou. E no seu coração não tinha nenhum amor, porque durante toda a vida ela quase amou. 

0 comentários:

Postar um comentário

 
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS (c) BLOG BRUNA PENA 2016 | DESENVOLVIDO POR SUSAN SANTOS | PROGRAMAÇÃO POR HEART IDEAS.